Há viagens que ficam na memória por causa de uma paisagem e outras que ficam para sempre por causa de um sabor. Para os amantes de queijo, o mapa do mundo pode ser interpretado de outra forma: através de caves de maturação, vales verdejantes, mercados centenários, queijarias artesanais e aldeias onde cada degustação conta uma história.
Convidamos-te a «viajar» connosco por alguns destes destinos, onde o queijo e as paisagens se combinam para ficarem gravados na memória.
Astúrias: mais além do queijo de Cabrales
Astúrias é um desses lugares onde o queijo não é visto como um simples produto local, mas sim como uma forma de compreender o território. São poucas as regiões onde se concentra tanta variedade, que vai muito além do Cabrales, com o seu sabor universal, intenso e profundamente ligado aos Picos de Europa.
Porém, perante as suas verdes pastagens, também podemos deliciar-nos com o Gamonéu, que aporta aquele perfil fumado e de montanha que sabe a pastagens e a cabanas de montanha. E mais para o interior encontramos queijos com muita personalidade, como o Casín, um dos mais antigos de Espanha e muito ligado ao entorno do Parque Natural de Redes, ou o Afuega’l Pitu, com versões brancas e vermelhas, de textura densa e sabor inconfundível.

A tradição do queijo nos Países Baixos
Nos Países Baixos, o queijo faz também parte da própria imagem do país. Gouda é provavelmente a localidade mais conhecida, com a sua Goudse Waag, a antiga casa de pesagem, e com o seu mercado tradicional, que se realiza às quintas-feiras de manhã, entre abril e o final de agosto.
Alkmaar oferece outra grande atração, com o seu famoso mercado na praça Waagplein, os carregadores de queijo vestidos de branco e uma tradição que continua a atrair viajantes de todo o mundo entre o final de março e o final de setembro.
E a tudo isso junta-se Edam, outro dos nomes incontornáveis do mundo do queijo dos Países Baixos, além de outras cidades como Woerden ou regiões onde também se podem descobrir queijos artesanais menos conhecidos, como o nagelkaas da região da Frísia.
A identidade do queijo francês
Em França, cada região transformou o queijo num símbolo da sua identidade. Na Normandia, por exemplo, a viagem tem o sabor do Camembert, do Livarot, do Pont-l’Évêque e do Neufchâtel, entre paisagens verdes, quintas e aldeias tranquilas onde a tradição continua muito viva.
Mais a sul, Roquefort-sur-Soulzon oferece uma experiência muito diferente, com as suas famosas caves de maturação escavadas no sopé do maciço de Combalou. Já o Jura revela todo um universo em torno de estradas de montanha, leiterias e aldeias onde a cultura do queijo faz parte do quotidiano.
E nos Alpes franceses, especialmente na Saboia, surgem nomes tão ligados à paisagem como Reblochon, Beaufort ou Tomme de Savoie.

As rotas do queijo mexicano
Fora das fronteiras europeias, os amantes de queijo podem descobrir novos sabores no México, que possui uma das rotas mais singulares: a de Ocosingo, em Chiapas. Nesta região, encontramos quintas e fazendas que produzem artesanalmente o queijo de bola e o queijo de Chiapas.
É uma experiência autêntica que não gira apenas em torno da degustação, mas também do contacto com as comunidades produtoras e de um ambiente de selva, montanhas e caminhos tranquilos que lhe conferem muita personalidade.
Por outro lado, o queijo «quesillo» de Oaxaca é também muito conhecido, indissociável da vida quotidiana e da gastronomia local. Lá, é possível fazer um percurso gastronómico que culmina no Mercado 20 de Novembro, com o seu animado corredor dos queijos.
A este mapa junta-se Querétaro, onde a tradição do queijo se mistura com a do vinho numa rota que gira em torno de Tequisquiapan, Bernal e das paisagens do semideserto de Querétaro, repletas de vinhas, fazendas e vilas encantadoras.

Entre a Suiça e o Tirol
Concluímos o nosso percurso entre o Tirol italiano e a Suíça mais alpina, onde se desenha um daqueles itinerários que parecem feitos à medida para os amantes do queijo. Aqui, a viagem decorre entre prados de altitude, aldeias de montanha, quintas, refúgios e estradas panorâmicas, onde a paisagem e a gastronomia andam sempre de mãos dadas.
No Tirol do Sul, o queijo faz parte de uma cultura intimamente ligada à vida rural e ao ritmo dos Alpes, com nomes como o Stilfser ou o Graukäse. É um território ideal para fazer uma paragem em pequenas queijarias, visitar quintas e sentar-se à mesa num refúgio com vista para as Dolomitas.
Ao atravessar a fronteira para a Suíça, surgem alguns dos queijos mais emblemáticos da Europa, como o Gruyère, o Emmental, o Appenzeller, o Raclette ou o Sbrinz. O melhor desta combinação é que permite vivenciar duas formas distintas, mas muito complementares, de entender a montanha.
O lado italiano tem um toque mais acolhedor, mais ligado aos refúgios, aos vales e à cozinha de raízes camponesas. O lado suíço, por outro lado, oferece aquela imagem clássica e ordenada do mundo alpino, onde tudo parece encaixar-se com uma precisão quase perfeita. Entre ambos surge uma viagem completa, tranquila e profundamente apetecível, daquelas que convidam a comer bem, a observar muito e a deixar-se levar pela paisagem com a mesma calma com que amadurece um bom queijo.

